
É no Arquivo Municipal de Tavira, edifício cor de laranja sobranceiro ao rio e à sua ponte, que se encontra a Carta de confirmação dos direitos da cidade de Tavira a Francisco Pereira de Berredo, um dos primeiros proprietários conhecidos da Quinta da Baleeira.
Fomos visitar esta memória, arrumada para o futuro.

Subimos as escadas, ladeadas por belos azulejos, e encontrámos prateleiras cheias de livros, numa desordem de vida e de consulta. Funcionários atenciosos e sabedores facultaram, dentro de uma capa florida, protegida do tempo que passa, a Carta que confirmou o Foral de Tavira de 1504.
Concedido por D. Manuel I, neste se reafirmavam os direitos da população local e foram introduzidas regulamentações que visavam ordenar e modernizar a administração municipal.

Este documento expressa a ligação da cidade de Tavira a Nuno Álvares Pereira, Santo Condestável.
As suas proezas militares, que garantiram a independência de Portugal durante a crise de 1385-1385, foram recompensadas com vastas propriedades. Estas foram repartidas generosamente, renunciando à sua posse quando se tornou monge, num exemplo de devoção e humildade.

A Quinta da Baleeira fazia parte das doações de D. Nuno Álvares Pereira ao seu tio materno Martim Gonçalves do Carvalhal – avô do atual proprietário em 15º grau – e que lhe terá ensinado a arte de manejar a espada. Desde então, até aos dias de hoje, a Quinta da Baleeira pertence aos seus descendentes e traduz o seu amor centenário às sua Raízes, Terra e à História, tão importantes neste mundo tão fugaz, rápido e digital.
